<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Esther Alencar de Jesus]]></title><description><![CDATA[Tateando a vida e a fé no mistério]]></description><link>https://estheralencardejesus.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NVv5!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0425962d-9079-4c4c-950e-a16b8a4d5bbe_1018x1020.png</url><title>Esther Alencar de Jesus</title><link>https://estheralencardejesus.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Wed, 15 Apr 2026 00:56:35 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://estheralencardejesus.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Esther Alencar de Jesus]]></copyright><language><![CDATA[en]]></language><webMaster><![CDATA[estheralencardejesus@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[estheralencardejesus@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Esther Alencar de Jesus]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Esther Alencar de Jesus]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[estheralencardejesus@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[estheralencardejesus@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Esther Alencar de Jesus]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Plataforma possibilitante (trecho do livro Devocional do Artista ainda não publicado)]]></title><description><![CDATA[A possibilidade &#233; assustadora, &#233; muito mais f&#225;cil crer em respostas exatas, &#233; muito mais f&#225;cil n&#227;o ter que crer em coisa alguma, apenas v&#234;-las e se contentar, somente finalizar o c&#225;lculo e esperar que o mundo seja exato, as solu&#231;&#245;es sejam as conclus&#245;es, o sentimento equivalente.]]></description><link>https://estheralencardejesus.substack.com/p/plataforma-possibilitante-trecho</link><guid isPermaLink="false">https://estheralencardejesus.substack.com/p/plataforma-possibilitante-trecho</guid><dc:creator><![CDATA[Esther Alencar de Jesus]]></dc:creator><pubDate>Wed, 04 Feb 2026 23:17:27 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NVv5!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0425962d-9079-4c4c-950e-a16b8a4d5bbe_1018x1020.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A possibilidade &#233; assustadora, &#233; muito mais f&#225;cil crer em respostas exatas, &#233; muito mais f&#225;cil n&#227;o ter que crer em coisa alguma, apenas v&#234;-las e se contentar, somente finalizar o c&#225;lculo e esperar que o mundo seja exato, as solu&#231;&#245;es sejam as conclus&#245;es, o sentimento equivalente.</p><p>A possibilidade assusta mais do que a impossibilidade, &#233; o medo do talvez, do &#8216;poderia ser&#8217; e ainda, o peso da escolha. Escolher entre duas, tr&#234;s ou quatro, op&#231;&#245;es, definir sua profiss&#227;o por um de seus interesses, decidir ficar ou ir, nos agoniamos at&#233; mesmo com o pedido do restaurante que vamos pedir, pra relaxar.</p><p>Uma pena que n&#227;o sejamos assim, exatos, enviesados, por outro lado, uma sorte que sejamos seres curiosos e dotados de imagina&#231;&#227;o, capazes de calcular os ganhos e faltas, ainda que no imagin&#225;rio, por isso temos alguma esperan&#231;a, por que podemos imaginar, por isso temos ansiedade, por que podemos imaginar.</p><p>Algo de bom est&#225; por vir, essa &#233; a expectativa, isso &#233; esperan&#231;a. A ansiedade nos apresenta aceleradamente possibilidades, cen&#225;rios ca&#243;ticos, desastrosos e sem controle, a esperan&#231;a nos oferece possibilidades, cen&#225;rios de bem aventuran&#231;a, abund&#226;ncia, a melhor parte que ainda n&#227;o chegou, e dentre as posturas, h&#225; a f&#233;, que &#233; a plataforma possibilitante da cria&#231;&#227;o desses cen&#225;rios.</p><p>Imagino, creio e crio.</p><p>Imagina&#231;&#227;o + f&#233; = ato criativo.</p><p>Boa parte de n&#243;s cresceu com a palavra f&#233; em nosso vocabul&#225;rio, eu depositava sobre as pessoas a minha volta a ilustra&#231;&#227;o do que significaria a f&#233;, minha bab&#225; crente que orava todos os dias 5 da manh&#227;, as igrejas cat&#243;licas e a turma da eucaristia na escola, meus pais que acreditam em Deus, um Deus que morreu em Bel&#233;m do Par&#225; e fez todas as coisas, ser&#225; que pintou o c&#233;u de l&#225;pis ou canetinha? E de onde eu vim? Pensava no passado, nos ind&#237;genas, na l&#237;ngua tupi, nos dias antes de eu nascer, outro tempo que n&#227;o fosse aqui, sentia uma vastid&#227;o.</p><p>Sentia um vazio gigante, uma escurid&#227;o, um v&#225;cuo, pensava as vezes que era ali que morava Deus, achava que eu n&#227;o tinha f&#233;.</p><p>Pensava em quem criou as palavras e os sentidos delas, tinha muito medo quando pensava demais, acho que ainda tenho, parece infinito e incaptur&#225;vel, hoje eu encontro o nome, eterno, fora do tempo, se move fora da temporalidade, ali mora Deus ou eu moro aqui, dentro de Deus?</p><p>Quando eu ficava doente, tinha muito medo de morrer, de repente, todos os males infantis vinham a tona, as mentiras inofensivas, as brigas com meu irm&#227;o, o dia que invejei a mochila da menina, quando roubei o <em>tictac</em> no mercado, me sentia sendo punida, o Deus que v&#234; tudo me descobriu, e como contra proposta eu me fazia a minha melhor vers&#227;o de mim, educada, n&#227;o xingava quando perdia no <em>Gameboy</em>, orava o Pai Nosso e me sentia a maior farsa da f&#233;, performando direitinho com medo de morrer de gripe, achava que Deus estava vingando toda minha maldade, principalmente aquele tictac roubado.</p><p>Quando queria muito ganhar algo de anivers&#225;rio, daqueles pedidos que parecem imposs&#237;veis (uma bicicleta), eu orava iniciando com meu nome completo e endere&#231;o, pra n&#227;o ter perigo da bike chegar na Esther errada, imagina, que absurdo, outra que nem orou. Eu jurava que f&#233; era sobre merecimento, a moeda de troca de Deus. Jurava que era uma esp&#233;cie de magia inexplic&#225;vel que ningu&#233;m sabe bem onde e nem como come&#231;a e muito menos o seu limite, era importante t&#234;-la, mas n&#227;o via diferen&#231;a alguma em quem n&#227;o a tinha.</p><p>Eu s&#243; n&#227;o queria morrer de gripe.</p><p>Vou precisar pular v&#225;rios epis&#243;dios da hist&#243;ria dessa crian&#231;a, mas em breve voltamos a questionamentos j&#225; abertos, e ent&#227;o, no fim da inf&#226;ncia cheguei a conhecer de fato o Deus que conhe&#231;o, mesmo assim, eu n&#227;o sabia exatamente o que seria a f&#233;, insistia ainda a ideia de uma magia ou s&#243; o fato de crer em Deus, al&#233;m de que &#233; comum sabermos que &#233; preciso de f&#233;, ainda que pouca e pequena, &#233; somente preciso ter.</p><p><em>Ele respondeu: "Porque a f&#233; que voc&#234;s t&#234;m &#233; pequena. Eu asseguro que, se voc&#234;s tiverem f&#233; do tamanho de um gr&#227;o de mostarda, poder&#227;o dizer a este monte: 'V&#225; daqui para l&#225;', e ele ir&#225;. Nada ser&#225; imposs&#237;vel para voc&#234;s.</em></p><p><em><strong>Mateus 17:20</strong></em></p><p>Quero te acalmar se de alguma forma voc&#234; se sente um sujeito sem f&#233;, por algum motivo, &#233; exatamente desses que Deus gosta, aqueles que s&#227;o t&#227;o conscientes de suas debilidades que pedem a Deus at&#233; mesmo a capacidade de pedir algo, &#233; simplesmente a consci&#234;ncia de que em si n&#227;o h&#225; poder algum para de fato se alterar.</p><p>Gosto de pensar nesse Deus, que por motivo desconhecido (amor? curiosidade? desejo? aventura?), para seus olhos no sem forma e vazio, como esse espa&#231;o entre seus olhos e o livro, como quando voc&#234; tenta pensar no &#8216;nada&#8217;, ele olha fixamente para isso e diz &#8220;exista&#8221;, uma voz exterior ao sem forma e vazio lan&#231;a um comando de amor, &#8216;&#8217;haja&#8217;&#8217;, o que resta ao vazio &#233; tomar forma, existir, Ele n&#227;o foge do caos, Ele altera com a palavra, o verbo, a voz, o &#8216;haja&#8217;.</p><p>imagina&#231;&#227;o + cria&#231;&#227;o + f&#233; + ato (fala) + verbo &#8594; jesus</p><p>Da mesma forma, o sujeito sem f&#233;, parado diante desse Deus, recebe seu olhar, cheio de ternura, curioso, com a boca cheia de palavras, esse Deus n&#227;o espera que voc&#234;, sujeito ca&#243;tico, crie de si pr&#243;prio alguma virtuosidade, seu papel &#233; ouvi-lo, ver os efeitos do verbo em si e ser.</p><p>Al&#233;m disso, ser crist&#227;o n&#227;o &#233; &#8216;&#8217;apenas ter f&#233;&#8221; e a f&#233; n&#227;o &#233; o simples fato de querer que alguma coisa seja verdadeira, por que, assim mesmo, o meu querer n&#227;o mudaria o que &#233; verdadeiro ou falso. A verdade &#233;, sempre foi e sempre ser&#225; real e te obriga a existir com a iminente exist&#234;ncia dela. H&#225; verdade, pois sem ela, n&#227;o poder&#237;amos afirmar nada, tenho certeza que para concordar ou discordar de mim, voc&#234; precisa estar lendo este livro e isto &#233; uma verdade, um fato.</p><p>&#201; como digo em meu livro Baru: &#8220; H&#225; verdade! Me aumento no mundo por causa disso. Por que h&#225; verdade, algo h&#225;!&#8221;</p><p>N&#227;o estou aqui pra te convencer de algo, n&#227;o quero enfiar algo na sua cabe&#231;a, na verdade, estou tentando puxar algo de voc&#234;, de dentro pra fora. Quero que voc&#234; tenha liberdade de rejeitar minha ideias, da mesma forma, que pode rejeitar um Deus amoroso.</p><p><em>&#8220;Assim, Deus nos d&#225; oportunidade tanto de am&#225;-lo quanto de rejeit&#225;-lo, sem violar nossa liberdade. (&#8230;) Por defini&#231;&#227;o, o amor deve ser dado livremente. N&#227;o pode ser for&#231;ado.&#8221; (Geisler, Norman)</em></p><p>A ideia de Deus &#233; incr&#237;vel demais pra ser crida com facilidade. Evidentemente &#233; mais f&#225;cil crer em um Deus cruel e altivo, ofendido e orgulhoso, r&#225;pido em se vingar, do que crer em um Deus apaixonado, paciente, tardio em irar-se, que aguarda, sem ofensa, nossa aten&#231;&#227;o.</p><p>Se exposta com verdade, &#233; uma ideia dif&#237;cil de crer pela pr&#243;pria alegria proposta, pensa: a possibilidade de um amor incondicional, Deus, o ser que criou a pr&#243;pria palavra &#8216;verdade&#8217;, a verdade que &#233; a pr&#243;pria confirma&#231;&#227;o do que se apresenta.</p><p>A possibilidade de ser amado assusta, por que toda experi&#234;ncia humana &#233; transpassada pelo limite do amor, por suas condi&#231;&#245;es e regras contratuais, o amor condicional &#233; como poder voar mas nunca ter onde pousar, &#233; segurar o corpo na corda bamba, por que o fato &#233; que vamos falhar, os limites ser&#227;o testados, os desejos ser&#227;o conflituosos, agora ou depois, descobriremos um no outro o n&#243;, a condi&#231;&#227;o, a evid&#234;ncia de que nosso amor &#233; uma c&#243;pia ainda que bem feita do amor de Deus. Um amor t&#227;o seguro de si que independe de mim, esse &#233; o amor de Deus, &#233; alian&#231;a, na verdade, o amor deixa de ser um sentimento e vira uma pessoa, pois sua palavra diz &#8220;<em>Deus &#233; amor, e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele". (1 Jo&#227;o 4:16-19)</em></p><p>&#201; uma esp&#233;cie de coexist&#234;ncia, eu permane&#231;o nele e ele em mim. Me faz lembrar de quando Paulo diz em Colossenses, <em>tudo subsiste NEle,</em> seria ent&#227;o uma subexist&#234;ncia? Uma persist&#234;ncia em existir? Um sustento do existir? N&#227;o h&#225; como isolar-me, me avaliar de fora, ou analisar de maneira n&#227;o contaminada pela experi&#234;ncia, estou guardado na exist&#234;ncia dele e na const&#226;ncia de que amanh&#227; o sol nascer&#225;, por que ele continua mantendo o universo e suas leis.</p><p><em>Ele &#233; a imagem do Deus invis&#237;vel, o primog&#234;nito de toda a cria&#231;&#227;o, pois nele foram criadas todas as coisas nos c&#233;us e na terra, as vis&#237;veis e as invis&#237;veis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele &#233; antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste. Colossenses 1:15-17</em></p><p>E tudo pertence a Ele, por isso possuem seus atributos, Ele finaliza os dias da cria&#231;&#227;o com as mais belas afirma&#231;&#245;es, isso &#233; bom, isso &#233; belo, isso &#233; verdadeiro, faz das coisas am&#225;veis e desejosas, por am&#225;-las e desej&#225;-las. N&#227;o &#233; o meu crer que faz a exist&#234;ncia desse Deus, existem coisas que simplesmente S&#227;o e Ele &#201;. Ele continuar&#225; existindo, tanto quanto eu existo. Eu sub-existo, Ele &#201;.</p><p>O ponto &#233;: Deus n&#227;o &#233; o contra-ponto. NEle tudo subsiste.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Tudo que eu quero]]></title><description><![CDATA[Escrevo como em segredo, desejando que algu&#233;m descubra, que encontre essa p&#225;gina, arranque-a de mim, por pedido, por espontaneidade ou por puro descontrole.]]></description><link>https://estheralencardejesus.substack.com/p/tudo-que-eu-quero</link><guid isPermaLink="false">https://estheralencardejesus.substack.com/p/tudo-que-eu-quero</guid><dc:creator><![CDATA[Esther Alencar de Jesus]]></dc:creator><pubDate>Sun, 27 Jul 2025 14:21:13 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NVv5!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0425962d-9079-4c4c-950e-a16b8a4d5bbe_1018x1020.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Escrevo como em segredo, desejando que algu&#233;m descubra, que encontre essa p&#225;gina, arranque-a de mim, por pedido, por espontaneidade ou por puro descontrole. Que eu me veja, ent&#227;o, contando essa confiss&#227;o, essas palavras, como quem se deixa ver, como um livro aberto, de lombada quebrada. Como na elegia de Caetano, que diz que a poucos &#233; concedida tal gra&#231;a: a de ser lida.</p><p>Mesmo sem destinat&#225;rio, um texto sempre encontra algu&#233;m.</p><p>Tudo que eu quero &#233; ter meus mon&#243;logos longos, sem pressa, com um ouvido atento e olhos fixos. Sentir que quem me ouve n&#227;o poderia desejar estar em outro lugar. E que eu, ao ouvir os absurdos que possam sair da sua boca, tamb&#233;m n&#227;o.</p><p>Ainda que eu grite, escandalize, diga com vigor: &#8220;N&#227;o &#233; poss&#237;vel, isso n&#227;o existe!&#8221; h&#225;, nesse grito, um encantamento. Porque grito pela possibilidade. Existe mais do que essa cabe&#231;a pode pensar, apesar de pensar tanto, de deslocar o ju&#237;zo e tentar ver de todos os &#226;ngulos. Me encanto com os olhares que n&#227;o s&#227;o meus. Me conta de novo.</p><p>Tudo que eu quero &#233; n&#227;o temer ser prolixa, nem mal compreendida. Quero me sentir como uma p&#225;gina de um lindo livro acad&#234;mico, onde nem tudo se entende, mas o panorama &#233; apaixonante. Onde se citam nomes como se todos soubessem: Caique, Nedinha, Biel, Raduan Nassar. Quero ser p&#225;gina riscada, grifada, marcada por frases absurdas, descartada por outras, in&#250;teis, talvez, mas necess&#225;rias. Porque sem elas, n&#227;o haveria a p&#225;gina inteira. E eu n&#227;o quero ser perfeita. Quero ser crua. Quero ser de agora, dos momentos em que &#8220;haja&#8221;, haja separa&#231;&#227;o entre raz&#227;o e sentimento. Onde o tempo n&#227;o governa, e o que h&#225; de mais importante no mundo &#233; o falar e o ouvir, em amor. Criando novos eus.</p><p>Tudo que eu quero &#233; for&#231;a. For&#231;a e const&#226;ncia. Quero encarar os n&#243;s da vida e, com simplicidade e sem pressa, afroux&#225;-los, pouco a pouco, todos os dias. Impondo uma for&#231;a mansa, perseverante. Porque s&#243; assim, alguns n&#243;s se desfazem. N&#227;o na guerra, mas na repeti&#231;&#227;o silenciosa de quem cr&#234;. Simplificando o imposs&#237;vel, como andar sobre as &#225;guas ou partir os p&#227;es e peixes. Vivendo o milagre cotidiano, com Ele.</p><p>Tudo que eu quero &#233; n&#227;o ter pressa. Sinto que sempre tive. Tento me iludir de que agora posso n&#227;o me apegar aos milissegundos, mas nunca usei o tempo que tentei salvar, fazendo uma coisa e pensando em outra. Tudo que eu quero &#233; abolir a ansiedade e viver. Simples. Clich&#234;. Real. Aqui.</p><p>Quero viver os meus dias com inten&#231;&#227;o. Dias mornos ou dias m&#250;ltiplos. Mas com sangue e calor. Quero estar presente nesses minutos. Lembrar da presen&#231;a de Deus, que &#233; sempre agora. Ouvir Sua voz que transforma tudo. Alargar meu ser. Ter mais consci&#234;ncia do Deus que vive em mim. Romper com a mediocridade e fixar meus olhos na Sua face, mesmo sabendo que morreria se a visse. Quero desejar, desejar, desejar.</p><p>S&#243; n&#227;o aguento n&#227;o desejar. A aus&#234;ncia do querer me enlouquece.</p><p>Tudo que eu quero &#233; encontrar a medida exata entre a solitude e o desafio. O outro sempre me desafia e me encanta. O jogo, a tentativa, o improviso que ele me oferece. &#201; como andar no escuro. O inesperado me cativa. Quando escuto uma palavra nova, repito em voz alta. Quando uma frase me encanta, anoto e aviso: &#8220;boa frase&#8221;.</p><p>Eu n&#227;o me interesso pelo impressionante. Me atraem as coisas comuns. Aquelas que sempre estiveram ali, mas que fazem tudo ser novo. Eu n&#227;o procuro o que &#233; maravilhoso demais pra mim. Eu procuro o que &#233; pra mim, apenas.</p><p>Tudo que eu quero &#233; que o luto seja s&#243; meu. Que n&#227;o haja tempo ou processo inv&#225;lido. Essa linha reta que caminho sobre a areia &#233; apagada pelas ondas, e s&#243; consigo entender o quanto andei depois que passa. Vivo com essa sombra, mas &#233; uma sombra que encoraja. Apaixone-se de novo. Pela vida. Pela maternidade. Pelos sonhos. Pelas faxinas. Pelo mar. N&#227;o se apegue &#224; dor em excesso, mas se incline diante do peso de cada milagre. Pra quem estava morto, viver &#233; sempre sobrenatural.</p><p>Tudo que eu quero &#233; cumprir as alegrias e n&#227;o perd&#234;-las. Estar ali quando o mundo abrir as cortinas. N&#227;o me estender demais em l&#225;grimas, nem me demorar na dor. Quero viver o novo, enquanto entendo o passado devagar.</p><p>Quero que insistam em mim. Que me chamem pra conversar e que tentem entender com clareza. Que sejam intensos e intencionais. Que saibam que podem me dizer tudo. Eu estou aqui. E n&#227;o &#233; uma brisa que vai me levar.</p><p>Tudo que eu quero &#233; estar aqui.</p><p>Eu pensava que sabia ler o mundo. Mas n&#227;o sei. Tudo que eu quero &#233; rel&#234;-lo. Volto a escrever porque sinto que estou me alfabetizando outra vez.</p><p>Tudo que eu quero &#233; crescer a lista de amigos de sangue, que me vejam chorando e me apoiem distante, quero os amigos de perto sempre com cora&#231;&#227;o exposto, mesmo quando s&#243; rimos e evitamos os assuntos de dor.</p><p>Tudo que eu quero &#233; tomar caf&#233;s coados em canecas novas, bregas e comemorativas, que nunca usei, familiar e estranho, sentada em a qualquer lugares com os melhores do mundo.</p><p>O que eu quero &#233; reconquistar fam&#237;lia, ser mulher, ser esposa, ser m&#227;e e grudar as asas ao redor da casa, nos colocar sempre pra voar, mesmo quando os olhares todos sejam de medo.</p><p>Tudo que eu quero &#233; me doar mais uma vez at&#233; a alma ao outro, porque se n&#227;o fosse assim, morreria sozinha, a semente que morre, multiplica, quero mais, sempre, mais.</p><p>Tudo que eu quero &#233; mais.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Sonhei contido 01/02]]></title><description><![CDATA[Me asseguro de me manter sens&#237;vel, de ouvir, de chorar, de olhar, de lembrar:]]></description><link>https://estheralencardejesus.substack.com/p/sonhei-contido-0102</link><guid isPermaLink="false">https://estheralencardejesus.substack.com/p/sonhei-contido-0102</guid><dc:creator><![CDATA[Esther Alencar de Jesus]]></dc:creator><pubDate>Fri, 18 Apr 2025 20:23:52 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dWuj!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc412aeab-5ad7-4faa-8529-eeaa02c12a6b_736x1196.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Me asseguro de me manter sens&#237;vel, de ouvir, de chorar, de olhar, de lembrar:</p><p>Sonhei ontem, eu e voc&#234;, num grande apartamento, grandes janelas, largas, grandes quartos, tudo era meia luz, at&#233; demais, tinham muitas malas, meio bagun&#231;ado, procurava meus objetos e lembrava sempre: est&#227;o nas malas, &#233; como se tiv&#233;ssemos acabado de chegar, aquele sentimento animador mas com o desgaste do desfazer de malas, achar o lugar pra cada coisa.</p><p>Voc&#234; dormia, eu percebia chover, achava que era chuva do cear&#225;, que n&#227;o molha tanto, mas por uma esp&#233;cie de impress&#227;o ou profecia, eu corri pra fechar todas aquelas largas janelas. Quase que no mesmo segundo que fecho a ultima janela, sinto uma onda gigante, como tsunami, muitas &#225;guas nos atingir, n&#227;o vejo mais nada do lado de fora, s&#243; escuto o som e sinto tudo tremer, penso que vamos morrer, n&#227;o acredito que o pr&#233;dio vai segurar, quando menos espero, acabou.</p><p>Voc&#234; acorda e me pergunta o que aconteceu.</p><p>Explico que n&#227;o sei se era chuva ou o mar que cresceu e nos engoliu, mas sobrevivemos, o pr&#233;dio em p&#233; e tudo dentro fora do lugar.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dWuj!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc412aeab-5ad7-4faa-8529-eeaa02c12a6b_736x1196.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Viva
]]></title><description><![CDATA[COME&#199;AR A ESCREVER/2024]]></description><link>https://estheralencardejesus.substack.com/p/viva</link><guid isPermaLink="false">https://estheralencardejesus.substack.com/p/viva</guid><dc:creator><![CDATA[Esther Alencar de Jesus]]></dc:creator><pubDate>Thu, 10 Apr 2025 20:37:47 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!tmVP!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcdcae656-af3c-4d3e-9a1d-0ca81722152e_1200x1018.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>COME&#199;AR A ESCREVER/2024</p><p>Seria interessante come&#231;ar sem saber onde vai dar, falo isso como se eu soubesse, como se eu soubesse de alguma coisa e nesse momento, posso dizer que mais do que nunca, n&#227;o sei.</p><p>&#8220;Mais do que nunca&#8221;, mais do que qualquer momento anterior, sei menos, at&#233; que chegue o pr&#243;ximo momento que direi &#8220;mais do que nunca&#8221;, n&#227;o sei, dessa vez estamos diante da morte, ou a possibilidade dela, n&#227;o sei se d&#225; pra ficar mais perdida. Existe uma medida encontrada no fato da morte, mas um grande elefante na sala, uma presen&#231;a grandiosa da possibilidade de cura, milagre e vida. Outra dualidade, dessa vez, caso de vida ou morte, n&#227;o minha, mas &#233; como se fosse, muitas vezes pensei que seria melhor se fosse a minha morte, mas &#233; sempre a de outro.</p><p>Mas come&#231;o mesmo sem saber, mesmo imaginando, &#233; pesado demais escrever pensando em ler, &#233; pesado demais viver pensando em morrer, ent&#227;o agora, escrevo viva, como se n&#227;o houvesse morte e n&#227;o h&#225;.</p><p>5 de setembro de 2024</p><p>Preciso escrever por escrever, penso demais antes de simplesmente come&#231;ar e sei que o problema &#233; sempre esse, o come&#231;ar, na cria&#231;&#227;o, &#233; sempre uma ladeira, pra come&#231;ar a subida, depois &#233; s&#243; descida, o peso do corpo e da ideia me leva gentilmente at&#233; o fim, a gravidade costuma ser a meu favor e o vento tamb&#233;m, mas antes de iniciar, &#233; uma tortura, vem todos os medos mentirosos em concord&#226;ncia, vem as motiva&#231;&#245;es feias e altivas, as necessidades e aprova&#231;&#245;es.</p><p>J&#225; come&#231;o cansada de lutar, eu contra eu, guerra sem fim.</p><p>Me isolo pra doer menos, contrastar menos, espelhar menos. &#201; ruim, por que acabo sem me ver em nada, me perco um pouco mais.</p><p>15 de setembro</p><p>por que eu t&#244; poupando a quantidade de coisas que tenho pra dizer? me sinto encurralada, tudo que aconteceu nos atropelou, a vida nunca vai ser como antes, eu preciso s&#243; escrever, s&#243; dizer, parar de engolir, parar, dar de vez a surtada que eu espero, sabe, eu nunca dei esse trabalho todo, eu sempre poupei, agora que j&#225; d&#243;i, eu quero me jogar. n&#227;o tem por que economizar agora, n&#227;o tem porqu&#234;, &#233; tudo ou nada.</p><p>eu quero tudo, sempre quis, n&#227;o me contento nunca.</p><p>a compara&#231;&#227;o com todas as vidas que n&#227;o s&#227;o a minha, mesmo assim n&#227;o trocaria a minha por nada, tudo &#233; precioso aqui, d&#243;i a instabilidade de tudo.</p><p>queria ser menos filos&#243;fica e mais simples, queria n&#227;o entender nada e ser suficiente, queria saber viver.</p><p>Algum jeito eu preciso dar pra viver isso. Eu tentei de todo jeito, eu queria fugir, mas queria ficar, eu queria ficar mas queria fugir. Sobrou escrever. Comecei v&#225;rias vezes na minha cabe&#231;a. Desisti diversas vezes. Escrevia, escrevia e acabava fugindo do assunto. A ideia de escrever um livro sobre um milagre que ainda n&#227;o aconteceu me parece brilhante, &#233; o ato de f&#233; por si s&#243;, &#233; crer sem ver, &#233; testemunhar pro futuro (profetizar?), andar sem ch&#227;o, tipo uma p&#225;gina sem pauta, &#233; o que me resta fazer, talvez s&#243; o que se espera de mim.</p><p>por outro lado, a pr&#225;tica de viver um milagre me aterroriza, afinal, estamos aqui, n&#227;o &#233; fic&#231;&#227;o, n&#227;o tem pra onde fugir, &#233; tudo concentrado, o tempo todo, no aqui e agora, toda a impossibilidade da terra. &#201; lindo ouvir hist&#243;rias e experi&#234;ncias de quem passou pelas piores curvas da exist&#234;ncia humana, aquele mist&#233;rio, aquela inexplica&#231;&#227;o, aquela virada de jogo, o triunfo da f&#233;, onde est&#225;, &#243; morte, tua vit&#243;ria?, posso imaginar.</p><p>De alguma forma, eu sempre pensei que escaparia, sempre pensei que n&#227;o era especial o suficiente para esses milagres.</p><p>Desde pequena, em Fortaleza, no Cear&#225;, eu andava de bicicleta e gostava de velocidade, sempre confiava nos skates e patinetes, n&#227;o pensava nas probabilidades de quedas e ossos quebrados, eu sempre pensei que se o acaso entrasse em a&#231;&#227;o, seria ao meu favor, que daria tempo sim de atravessar a rua e que eu daria sempre sorte, entre tantas pessoas, eu n&#227;o seria a escolhida pelo ladr&#227;o a ser a v&#237;tima, n&#227;o sei se isso &#233; se achar especial de menos ou demais, mas eu pensava.</p><p>Hoje sabendo do fim, me sinto especial demais, &#233; exatamente ao barruar com a vida, o caminh&#227;o que me passou e transfigurou que me faz querer mais e agora nunca parar de dizer, nunca parar de escrever: ESTOU VIVA</p><p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!tmVP!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcdcae656-af3c-4d3e-9a1d-0ca81722152e_1200x1018.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!tmVP!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcdcae656-af3c-4d3e-9a1d-0ca81722152e_1200x1018.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!tmVP!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcdcae656-af3c-4d3e-9a1d-0ca81722152e_1200x1018.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!tmVP!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcdcae656-af3c-4d3e-9a1d-0ca81722152e_1200x1018.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!tmVP!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcdcae656-af3c-4d3e-9a1d-0ca81722152e_1200x1018.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!tmVP!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcdcae656-af3c-4d3e-9a1d-0ca81722152e_1200x1018.jpeg" width="1200" height="1018" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/cdcae656-af3c-4d3e-9a1d-0ca81722152e_1200x1018.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:&quot;normal&quot;,&quot;height&quot;:1018,&quot;width&quot;:1200,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:0,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!tmVP!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcdcae656-af3c-4d3e-9a1d-0ca81722152e_1200x1018.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!tmVP!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcdcae656-af3c-4d3e-9a1d-0ca81722152e_1200x1018.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!tmVP!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcdcae656-af3c-4d3e-9a1d-0ca81722152e_1200x1018.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!tmVP!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcdcae656-af3c-4d3e-9a1d-0ca81722152e_1200x1018.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div>]]></content:encoded></item></channel></rss>